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DISSONÂNCIA COGNITIVA OU COMO AFASTAR TRABALHADORES DA CASA ESPÍRITA

 

Jesus ? Matando? E o sexto mandamento da Bíblia ?

O que os orixás têm me ensinado sobre minha (amorosa) saída do espiritismo

"Com a ascensão do bolsonarismo e da extrema-direita, as fileiras espíritas passaram a se tornar um espaço hostil para mim e para pessoas como eu" - Franklin Félix

Introdução:

A dissonância cognitiva é um fenômeno psicológico que ocorre quando duas crenças ou atitudes conflitantes (exemplo: amar e odiar) estão presentes na mente de uma pessoa. Dissonância cognitiva é a incoerência entre o que a pessoa diz, pensa (crenças, valores, princípios) e o que a pessoa realmente pratica. Outro exemplo: há uma dissonância cognitiva quando uma pessoa tem de si uma imagem de ambientalista, mas um dia joga lixo na rua, pela janela do seu carro. Se a pessoa já se posicionou publicamente sobre o tema (por exemplo, defendendo o meio ambiente para seus filhos ou nas redes sociais), a tendência é que a conduta dissonante gere desconforto psíquico maior. Só que não.

Após esta introdução inicial, vamos a historia do ex-espírita Franklin Félix:

Esse texto é um agradecimento a tantas pessoas boas, tantos amigos e amigas que o espiritismo me proporcionou. Também serve para agradecer todos esses anos de parceria com a Carta Capital no blog Diálogos da Fé e para celebrar essa minha nova jornada espiritual.

Depois de quase trinta e cinco anos, me despeço do espiritismo, essa doutrina que durante tanto tempo foi tão importante para minha vida e que me ajudou a ser boa parte de quem sou hoje, embora sempre soubesse que meus caminhos se dariam a partir de de outras encruzilhadas.

Cresci em um bairro da periferia da cidade de São Paulo e uma das minhas únicas opções de lazer e socialização aos finais de semana era o centro espírita (já escrevi sobre isso outras vezes, mas como resgate, penso ser valioso deixar registrado mais uma vez). Um centro espírita comunitário, dirigido por uma família negra e digo isso porque não é esse espiritismo, majoritariamente branco e classe média que vemos aí, que ajudou moldar meu caráter.

Foi a partir dessas relações que escolhi ser psicólogo (a filha da dirigente era psicóloga) e atuar na defesa dos direitos humanos, nas causas sociais e na lua antirracista. 

O espiritismo foi a terra boa e o candomblé tem sido a semeadura e a fertilização. Que assim seja!

Uma vizinha convenceu minha mãe a me levar para a escolinha de evangelização, uma espécie de catecismo espírita. Eu fui e, na sequência, minha mãe foi convidada a participar das atividades doutrinárias para conhecer mais sobre o lugar que seu filho estava frequentando.

Aos poucos, fomos nos tornando orgânicos do movimento, primeiro ajudando na sopa, depois na assistência social e nos cursos doutrinários, evangelização infanto-juvenil, atividades com famílias, liderando processos e ampliando as responsabilidades.

Nesses muitos anos eu participei de todas as atividades de um centro espírita e por conta disso, em meados de 2005, fui convidado a apresentar um programa para jovens em uma famosa radio espírita, que nos expulsaria em 2018, no auge do bolsonarismo, por conta das nossas ideias “esquerdistas”. Foi quando fui convidado a escrever na CartaCapital sobre espiritismo e direitos humanos.

Franklin Félix

Enquanto escrevo, minha memória vagueia, é impossível não me emocionar várias vezes com tantas recordações.

A minha vivência dentro do espiritismo sempre foi muito genuína. Acreditava em um espiritismo dialógico, ecumênico, progressista e plural.

Me esforcei muito para, mesmo com todas as limitações, falar, escrever e viver uma doutrina espírita amorosamente inclusiva e doutrinariamente diversa. Certamente outros amigos e amigas espiritas, por quem tenho enorme consideração, vão fazer muito mais do que eu fiz.


Travei muitos embates e protagonizei algumas discussões, principalmente contra o racismo, a LGBTfobia e a transfobia. Me lembro de duas dessas: uma quando uma palestrante famosa associou LGBTs a HIV e a outra com uma pessoa que disse que mulheres eram somente aquelas que menstruavam. Dois pensamentos rasos, preconceituosos e desumanizantes. Confesso que esses embates foram as portas para muitas decepções, inclusive com uma ala mais progressista.

Com a ascensão do bolsonarismo e da extrema-direita, as fileiras espíritas — majoritariamente brancas, mais velhas e endinheiradas — passaram a se tornar um espaço hostil para mim e para pessoas como eu.

Frequentar um centro espírita sem ser interpelado por conta das minhas ideias e posicionamentos se tornou uma tarefa muito difícil. Passei a ser considerado “obsidiado” (que é uma espécie de possessão diabólica). Mas isso não me preocupava mais do que ver uma doutrina que sempre foi base para minha vida se tornando cada vez mais fundamentalista e reacionária, o contrário do pensamento kardecista.

Gradualmente, sem uma comunidade espírita e cada vez mais perdendo a identidade com a religião, fui sendo acolhido pelo povo de santo. 

Estar no candomblé, fazer parte de uma egbé (é assim que nos referimos a nossa família), é esse retorno para uma vivência plena da fé, esse contato constante com o sagrado, com a natureza e comigo mesmo. 

Ser um homem branco e gay em uma religião negra é um convite constante à descolonização do olhar.

Hoje vivencio uma religião em que não sou maioria e isso para mim é muito importante. As divindades que eu cultuo são negras, os cantos são negros e em linguagem africana, os rituais e comidas são negros. Tudo é negro, inclusive meus irmãos e irmãs.

Tem sido uma aprendizagem diária, não que eu tenha “zerado” tudo que aprendi todos esses anos no espiritismo, mas estar e ser de uma religião de matriz africana é, também, rever o racismo estrutural que tive como base, até mesmo dentro do espiritismo, quando se associava entidades como Pretos Velhos e Exus a espíritos inferiores.

Não basta apenas não ser racista, como assegura Angela Davis, esse é um dever ético, legal e moral. Devo ser antirracista. Usar dos privilégios que a branquitude me assegura, para condenar, combater e reprimir, diariamente, todo tipo de preconceito e segregação por raça e cor, dentro e fora das comunidades de fé.

Tive a alegria de, nessa transição de fé, contar com o apoio de amigos/as maravilhosos/as, como o Thiago e a Michele, amigos/as espíritas de toda uma vida e espero que além dela e do filósofo e candomblecista Daniel Souza, meu irmão de outras vidas e que me apresentou seu terreiro e para a Yalorixá Luciana Bispo, uma sacerdotisa humana, liderança comunitária preciosa, assistente social dedicada e dona do melhor abraço do mundo.

Foi ela quem me sustentou pelo braço, pegou firme na minha mão e cuidou da minha Ori (cabeça) num momento de profunda dor e decepção, tornando o candomblé nesse alicerce importante no enfrentamento das dificuldades da minha vida.

Nessa transformação, me revisito diariamente, tentando ser alguém melhor, ser morada do sagrado e ter capacidade para carregar meu Orixá e meus guias no corpo e no coração, sem ódio ou rancor, mas com pureza, leveza e boniteza.

Só me arrependo de uma coisa enquanto espírita: ter fracassado em torná-lo um lugar bom para todas as pessoas. À essas pessoas eu peço perdão.

Torço muito para que um dia o espiritismo, aquele da minha infância, volte a ser um lugar de comunhão, se esforçando para construir uma sociedade justa, feliz e igualitária, uma casa comum, onde todas as pessoas possam viver bem e tendo acesso aos aos seus direitos, livres de preconceitos e discriminações.

O espiritismo foi a terra boa e o candomblé tem sido a semeadura e a fertilização.

Que assim seja!

Adupé por tudo que tenho vivido!

Franklin Félix

É psicólogo, educador, militante pelos direitos humanos e um dos idealizadores do movimento de espíritas pelos direitos humanos.


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O QUE É DISSONÂNCIA COGNITIVA? TEORIA E EXEMPLOS

 


As pessoas tendem a procurar uma coerência em suas crenças e percepções. Então o que acontece quando uma das nossas crenças entra em conflito com outra crença anteriormente detida? O termo dissonância cognitiva é usado para descrever as sensações de desconforto que resultam de duas crenças contraditórias. Quando há uma discrepância entre as crenças e comportamentos, algo tem de mudar, a fim de eliminar ou reduzir a dissonância.

O que é dissonância cognitiva?

O psicólogo Leon Festinger propôs uma teoria da dissonância cognitiva centrada em como as pessoas tentam alcançar consistência interna. Ele sugeriu que as pessoas têm uma necessidade interior para garantir que as suas crenças e comportamentos são consistentes. Crenças inconsistentes ou conflitantes levam a desarmonia, que as pessoas se esforçam para evitar.

Em seu livro A Teoria da Dissonância Cognitiva (A Theory of Cognitive Dissonance), Festinger explicou:

“A dissonância cognitiva pode ser vista como uma condição antecedente que leva a atividade orientada para a redução de dissonância assim como a fome leva para a atividade orientada para a redução da fome. “

A quantidade de experiência de dissonância cognitiva nas pessoas pode depender de alguns fatores diferentes, incluindo o quão valorizamos uma crença particular e o grau em que as nossas crenças são inconsistentes.

A força total da dissonância pode ser influenciada por vários factores. Cognições que são mais pessoais, tais como crenças sobre o self (si mesmo), tendem a resultar em maior dissonância. A importância das cognições também desempenha um papel. Coisas que envolvem altas valorizações normalmente resultam em dissonância mais forte.

A relação entre os pensamentos dissonantes e pensamentos consoantes também pode desempenhar um papel no quão forte os sentimentos de dissonância são. Quanto maior for a força da dissonância, mais pressão existe para aliviar as sensações de desconforto.

Dissonância cognitiva pode muitas vezes ter uma forte influência sobre os nossos comportamentos e ações. Vamos começar por olhar para alguns exemplos de como isso funciona.

Exemplos de dissonância cognitiva

Dissonância cognitiva pode ocorrer em muitas áreas da vida, mas é particularmente evidente em situações onde o comportamento de um indivíduo entra em conflito com as crenças que são essenciais para a sua autoidentidade. 

Por exemplo, considere uma situação em que um homem que coloca um valor em ser ambientalmente responsável acaba de comprar um carro novo que ele descobre mais tarde que gasta muita gasolina.

O conflito:

  • É importante para o homem cuidar do meio ambiente.
  • Ele está dirigindo um carro que não é ambientalmente amigável.

A fim de reduzir essa dissonância entre crença e comportamento, ele tem algumas opções.

Ele pode vender o carro e comprar um outro que ‘faz mais por litro (de gasolina)’, ou ele pode reduzir sua ênfase na responsabilidade ambiental. No caso da segunda opção, a sua dissonância poderia ainda ser minimizada por se envolver em ações que reduzam o impacto da condução de um veículo com alto consumo de gasolina, tal como utilizar o transporte público com mais frequência ou andar de bicicleta para o trabalho.

Um exemplo mais comum de dissonância cognitiva ocorre nas decisões de compra que fazemos regularmente. A maioria das pessoas quer manter a crença de que fazem boas escolhas. Quando um produto ou item que compramos é ruim, ele entra em conflito com a nossa crença já existente sobre as nossas capacidades de tomada de decisão.

Mais exemplos de dissonância cogniiva

Em seu livro de 1957 A Teoria da Dissonância Cognitiva, Festinger oferece um exemplo de como um indivíduo pode lidar com a dissonância relacionada a um comportamento de saúde. Indivíduos que fumam podem continuar a fazê-lo, mesmo que eles saibam que é ruim para a sua saúde. Por que alguém iria continuar a se envolver em comportamentos que sabem que não são saudáveis? De acordo com Festinger, uma pessoa pode decidir que valoriza mais fumar do que a própria saúde, considerando que o comportamento “vale a pena” em termos de riscos e recompensas.

Outra forma de lidar com esta dissonância cognitiva é minimizar as desvantagens potenciais. O fumante pode convencer-se de que os efeitos negativos para a saúde têm sido exagerados. Ele também pode aliviar suas preocupações com a saúde, dizendo a si mesmo que ele não pode evitar todos os riscos possíveis. Finalmente, Festinger sugeriu que o fumante pode tentar convencer-se de que, se ele parar de fumar, então ele vai ganhar peso, que também apresenta riscos para a saúde. Ao utilizar tais explicações, o fumante é capaz de reduzir a dissonância e continuar o comportamento.

Como reduzir a dissonância cognitiva

De acordo com a teoria da dissonância cognitiva de Festinger, as pessoas tentam procurar uma coerência em seus pensamentos, crenças e opiniões. Então, quando há conflitos entre cognições, as pessoas vão tomar medidas para reduzir a dissonância e os sentimentos de desconforto. Essas são 3 diferentes estratégias-chave para reduzir ou minimizar a dissonância cognitiva:

  1. Concentre-se em crenças mais favoráveis que superam a crença ou comportamento dissonante.
    Por exemplo, pessoas que aprendem que as emissões de gases com efeito de provocar o aquecimento global podem experimentar sentimentos de dissonância se conduzirem um veículo com alto consumo de gasolina. A fim de reduzir essa dissonância, elas podem procurar novas informações que contestam a conexão entre gases de efeito estufa e aquecimento global. Esta nova informação pode servir para reduzir o desconforto e dissonância que a pessoa experimenta.
  2. Reduzir a importância da crença em conflito.
    Por exemplo, um homem que se preocupa com sua saúde pode ser perturbado ao saber que ficar sentado por longos períodos de tempo durante o dia está ligado a uma vida útil encurtada. Uma vez que ele tem que trabalhar o dia todo em um escritório e passa grande parte do tempo sentado, é difícil mudar o seu comportamento, a fim de reduzir seus sentimentos de dissonância. A fim de lidar com os sentimentos de desconforto, ele poderia, em vez encontrar alguma maneira de modificar o seu comportamento, passar a acreditar que seus outros comportamentos saudáveis compensam o seu estilo de vida sedentário.
  3. Mudar a crença conflitante de modo que seja consistente com outras crenças e comportamentos.
    Alterar a cognição conflitante é uma das maneiras mais eficazes de lidar com a dissonância cognitiva, mas é também uma dos mais difíceis. Particularmente no caso de valores e crenças mais profundas, a mudança pode ser extremamente difícil. 

    Por que a dissonância cognitiva é importante?

    Dissonância cognitiva desempenha um papel em muitos julgamentos de valor, decisões e avaliações. Tornar-se consciente de como as crenças conflitantes impactam o processo de tomada de decisão é uma ótima maneira de melhorar a sua capacidade de fazer escolhas mais rápidas e precisas. 

    Observações

    1. A existência de dissonância, sendo psicologicamente desconfortável, vai motivar a pessoa a tentar reduzir a dissonância e alcançar consonância
    2. Quando a dissonância está presente, além de tentar reduzi-la, a pessoa vai evitar ativamente situações e informações que provavelmente aumentariam a dissonância. ”
      (Festinger, 1957)

    Referências:

    Cooper, J. (2007). Cognitive dissonance: 50 years of a classic theory. London: Sage Publications.

    Festinger, L. (1957) A theory of cognitive dissonance. Stanford, CA: Stanford University Press.

    Por Kendra Cherry

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DISSONÂNCIA COGNITIVA

 


Cristãos adeptos da morte: Sexto Mandamento? Não Matarás?

A dissonância cognitiva é um tipo de estresse psicológico que ocorre quando uma pessoa tem crenças, idéias ou valores contraditórios, ou quando agindo contra as suas próprias ideias. Esse efeito, que pode causar níveis muito altos de desconforto, foi descoberto pela primeira vez por Leon Festinger nos anos 50.

A dissonância cognitiva ocorre quando uma pessoa é exposta a novas informações que contradizem algumas de suas idéias, crenças ou valores. Quando esse estresse ocorre, o indivíduo tenta resolver a contradição de alguma maneira, com a intenção de reduzir o desconforto psicológico o mais rápido possível.

PARA ENTENDER MELHOR ... ...

NÃO MATARÁS

MATARÁS!


Teoria de Festinger

Festinger acreditava que os seres humanos precisam manter um alto nível de coerência psicológica para funcionar adequadamente no mundo real. Por isso, quando algo contradiz nossas idéias, sentimos grande desconforto e tentamos resolver a contradição o mais rápido possível.

Existem várias maneiras possíveis de resolver um caso de dissonância cognitiva. Dependendo da personalidade e da situação em que ela aparece, cada indivíduo escolhe uma diferente. É importante lembrar que esse fenômeno psicológico ocorre em todas as pessoas e que não precisa ser uma indicação de um problema mais sério.

Em 1957, em seu livro A Teoria da Dissonância Cognitiva , Leon Festinger propôs a idéia de que as pessoas precisam manter um alto nível de consistência entre nossos pensamentos e fatos do mundo real, a fim de funcionar adequadamente em nossas vidas cotidianas.

Segundo o autor, as pessoas têm uma série de idéias, crenças e pensamentos sobre como o mundo funciona ou como deveria ser. Quando encontramos dados que contradizem o que pensamos, sentimos alguma ansiedade, o que nos levaria a tentar resolver a contradição de maneiras diferentes.

Esses níveis de ansiedade serão mais ou menos altos, dependendo de quão importante a crença está sendo questionada para cada indivíduo e de quão contraditórios os dados recebidos foram. Para eliminar a dissonância, quatro estratégias diferentes podem ser seguidas, que veremos abaixo.

Estratégias para reduzir a dissonância cognitiva

Quando uma pessoa precisa enfrentar informações ou fatos que contradizem sua visão da realidade, ela inconscientemente escolherá uma das quatro estratégias para resolver a dissonância e reduzir seu desconforto psicológico. É importante enfatizar que essas estratégias geralmente não são usadas de propósito.

A estratégia mais simples é simplesmente ignorar ou negar informações que contradizem a crença que estava sendo mantida. Por exemplo, uma pessoa que pensa que beber álcool é ruim pode dizer que “a cerveja não conta como bebida alcoólica” para evitar sentir-se mal quando ingerida.

Uma segunda estratégia é encontrar uma justificativa para a aparente contradição, geralmente adicionando condições ou explicações alternativas. Por exemplo, um jovem que propôs estudar várias horas, mas não deseja fazê-lo, poderia justificar-se pensando que no dia seguinte poderá recuperar o tempo perdido sem problemas.

A terceira estratégia baseia-se na modificação superficial do pensamento ou crença com a qual o conflito ocorreu, sem nunca abandoná-lo por completo. Por exemplo, alguém que deseja manter sua dieta, mas acabou de comer um pedaço de bolo, pode pensar que nada acontece para fazer uma refeição fraudulenta de tempos em tempos.

Finalmente, a estratégia mais difícil no nível cognitivo é mudar o comportamento de alguém para se encaixar na idéia básica ou mudar completamente a crença que foi mantida. Por exemplo, alguém que acha impossível aprender inglês mudaria de idéia ao descobrir que outra pessoa na mesma situação teve sucesso.

Áreas em que a dissonância cognitiva influencia

Os efeitos da dissonância cognitiva podem ser observados em um grande número de situações diferentes. Entretanto, as investigações a esse respeito têm tradicionalmente se concentrado em três áreas: em relação à obediência forçada, tomada de decisão e esforço.

Obediência forçada

Algumas das primeiras investigações realizadas sobre dissonância cognitiva foram direcionadas para situações em que uma pessoa foi forçada a fazer algo que realmente não queria fazer internamente. Assim, houve um conflito entre seus pensamentos e seu comportamento.

Como o comportamento é marcado externamente, a única maneira de essas pessoas reduzirem sua dissonância cognitiva será modificando seus pensamentos. Assim, devido a um efeito conhecido como “lógica retroativa”, quando isso ocorre, tendemos a nos convencer de que realmente queríamos realizar o que fizemos.

Por exemplo, de acordo com essa teoria, uma pessoa que é forçada a estudar uma carreira, apesar de não querer fazer isso, pode acabar se convencendo de que realmente deseja fazê-lo.

Tomada de decisão

A vida é cheia de decisões e, em geral, tomar uma delas causa dissonância cognitiva. Isso ocorre porque normalmente todas as alternativas que temos para escolher têm pontos a favor e contra, por isso sempre teremos que desistir de algo que nos agrade.

Diferentes pesquisadores estudaram as estratégias que costumamos usar para reduzir a dissonância cognitiva ao tomar uma decisão. O mais comum é nos convencer de que a alternativa que escolhemos é muito mais atraente do que realmente é, e que os outros realmente não gostam muito de nós.

Esforço

Outra grande parte da pesquisa relacionada à dissonância cognitiva foi realizada no campo de objetivos e esforço pessoal. A idéia básica tirada deles é que tendemos a valorizar muito mais aquelas metas ou objetos que tivemos que trabalhar duro para alcançar.

O efeito pelo qual isso ocorre é conhecido como “justificativa do esforço”. Quando nos esforçamos para alcançar algo, se isso não for tão atraente ou benéfico quanto pensávamos inicialmente, experimentamos desarmonia. Quando isso acontece, tendemos a mudar nossos pensamentos sobre o que alcançamos para reduzi-lo.

Como nos sentimos mal se trabalharmos duro para fazer algo que não seja realmente atraente, nossa primeira estratégia é mudar o que pensamos sobre o que nos esforçamos e valorizá-lo como mais positivo do que realmente é.

Experiência de Festinger

A dissonância cognitiva foi estudada em 1959 por Leon Festinger. Nele, eu queria experimentar como os participantes reagiram a uma tarefa repetitiva e monótona com base na recompensa que receberam depois de concluí-la.

Na primeira fase do experimento, os participantes tiveram que realizar uma tarefa extremamente chata por duas horas, depois de se voluntariarem para ela. Posteriormente, eles foram divididos em três grupos distintos, para estudar como diferentes graus de motivação extrínseca afetavam sua opinião sobre o que haviam feito.

Os participantes do primeiro grupo não receberam nenhum tipo de recompensa financeira. Pelo contrário, os do segundo receberam um dólar pelo trabalho realizado, e os do terceiro receberam vinte. Mais tarde, eles foram convidados a preencher um questionário no qual precisavam escrever suas opiniões sobre a tarefa.

Resultados e conclusões

O experimento de Festinger revelou que os participantes que receberam vinte dólares por sua participação no estudo e aqueles que não receberam nada expressaram sua insatisfação com a tarefa realizada. Eles comentaram que a tarefa parecia desagradável e que eles não gostariam de fazer algo parecido.

Pelo contrário, os participantes do grupo que receberam apenas um dólar expressaram níveis de satisfação muito mais altos com a tarefa, com os experimentadores e com o processo em geral.

Festinger e seus colaboradores tiraram duas conclusões deste estudo. A primeira é que, quando somos forçados a fazer algo contra a nossa vontade, podemos mudar nossas opiniões para evitar sentir que perdemos tempo.

Por outro lado, adicionar uma recompensa externa pode tornar a mudança de opinião mais perceptível; Mas isso só acontece quando a recompensa é muito pequena e não pode justificar por si só o fato de que a pessoa agiu de uma maneira em que realmente não queria.

Exemplos

A dissonância cognitiva pode aparecer em praticamente qualquer área da vida. No entanto, é especialmente frequente quando uma pessoa age por conta própria de uma maneira que contraria qualquer uma de suas crenças.

Quanto mais o comportamento da pessoa entra em conflito com suas crenças, e quanto mais importantes elas são para o indivíduo, mais forte é a dissonância cognitiva que ocorre. Alguns exemplos frequentes desse fenômeno são os seguintes:

– Uma pessoa que faz dieta, mas decide comer um pedaço de bolo, sentirá dissonância cognitiva. Diante dessa situação, por exemplo, você pode dizer a si mesmo que, na realidade, o bolo não é tão calórico ou pensar que você tem o direito de comer mal de vez em quando.

– Alguém que se preocupa com o meio ambiente, mas opta por um carro novo em vez de gasolina elétrica pode dizer a si mesmo que seu impacto no bem-estar do planeta não é realmente tão alto ou se convencer de que, de fato, um veículo Moderno não é tão poluente.

Fonte: pexels.com

Referências

  1. “Dissonância cognitiva” em: simplesmente psicologia. Retirado em: 06 de abril de 2019 de Simply Psychology: simplypsychology.com.
  2. “O que é dissonância cognitiva?” In: VeryWell Mind. Retirado em: 06 de abril de 2019 de 
  3. VeryWell Mind: verywellmind.com.
  4. “Dissonância Cognitiva (Leon Festinger)” em: Design Instrucional. Retirado em: 06 de abril de 2019 de Instructional Design: instructionsaldesign.org.
  5. “O que é dissonância cognitiva?” Em: Psychology Today. Retirado em: 06 de abril de 2019 de Psychology Today: psychologytoday.com.
  6. “Dissonância cognitiva” em: Wikipedia. Retirado em: 06 de abril de 2019 da Wikipedia: en.wikipedia.org.