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OS PILARES DA CRIAÇÃO

 


Os Pilares da Criação são um dos objetos mais famosos e espetaculares do Universo. O Telescópio Espacial James Webb já demonstrou os Pilares da Criação antes , mas naquele momento o poder do olho aguçado do JWST não era suficiente devido a um mau funcionamento dos instrumentos . Agora, após a retomada da operação de todos os instrumentos, o telescópio mostrou esse espetáculo cósmico com detalhes incríveis.

Parte de uma imagem composta dos Pilares da Criação tirada pelo Telescópio Espacial James Webb. Foto: NASA

Existem instrumentos a bordo que permitem ver em diferentes comprimentos de onda da radiação infravermelha. A primeira imagem publicada dos Pilares da Criação da Near Infrared Camera (NIRCam) foi publicada em outubro. Posteriormente, outra imagem foi obtida pelo instrumento de infravermelho médio (MIRI), que se revelou mais assustador na aparência . Desta vez, os cientistas os combinaram e obtiveram mais fotos de ambos os intervalos.

A nova imagem combinada mostra os Pilares da Criação em detalhes incríveis usando os instrumentos NIRCam e MIRI do Telescópio Espacial James Webb simultaneamente. Autoria da imagem: NASA/ESA/CSA/STScI

O NIRCam destaca estrelas recém-formadas que são visíveis em laranja fora dos pilares. O MIRI chama a atenção para as camadas de poeira que podem ser vistas na formação laranja claro no topo da imagem. Os pilares fantasmas também estão cobertos de poeira. “Esta é uma das razões pelas quais esta região está repleta de estrelas – a poeira é o principal componente para a formação de estrelas”, disse a NASA.

Área pitoresca de formação estelar

A ponta do dedo vermelho brilhante no pilar do meio indica uma área de formação estelar ativa no interior. Essas estrelas ainda são “bebês”, segundo estimativas da NASA, têm apenas algumas centenas de milhares de anos. Eles têm milhões de anos de formação e uma vida agitada pela frente.

Os Pilares da Criação vistos pelo Hubble (esquerda) e NIRCam James Webb (direita). Foto: NASA

Os Pilares da Criação representam uma parte pequena, mas muito pitoresca, da Nebulosa da Águia. Eles ganharam popularidade graças a uma imagem impressionante tirada pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995. A capacidade de James Webb de ver com seus olhos infravermelhos nos dá uma nova maneira de sentir e entender essa incrível formação. Graças aos dois telescópios, agora temos várias imagens dos pilares, cada um lindo à sua maneira.

Original do site The Universe Space Tech



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QUANTAS DIMENSÕES EXISTEM NO UNIVERSO?



A teoria de Einstein diz que são 4, mas há cientistas que falam em 11 ou mais. Afinal, quem é que está certo?

No início do século 20, a resposta para essa pergunta era tão óbvia quanto velha. Euclides, lá na Grécia antiga, já havia sacado que são 3 as direções possíveis para qualquer movimento: para cima (ou para baixo), para a esquerda (ou para a direita) e para a frente (ou para trás). Portanto, o espaço possui 3 dimensões. Fácil, não?
Até que, em 1905, Einstein começou a bagunçar tudo. Nesse ano, ele fez 3 descobertas importantes e uma delas demonstrava que, ao contrário do que dizia a física até então, o espaço e o tempo não eram fixos e imutáveis. Na verdade, eles eram flexíveis e manipuláveis, de modo que era possível, sob certas condições, encolher o tamanho de um centímetro ou esticar a duração de um segundo. E o pior: a modificação sobre um estava atrelada à transformação do outro. Ou seja: o tempo era, do ponto de vista físico, indistinguível do espaço.
Com isso, deixou de ser possível falar em 3 dimensões – já que o tempo não podia mais ser colocado em uma gaveta distinta da das outras dimensões. Ficou claro que tudo era uma coisa só: um continuum espaço-tempo, como os físicos hoje adoram dizer.
O fim da velha geometria
Até aí, bastava incorporar o tempo, que até Euclides conhecia, à lista das 3 dimensões existentes. Mas Einstein fez questão de complicar as coisas quando, em 1915, conseguiu aprofundar sua Teoria da Relatividade. Ao estudar os movimentos acelerados, ele percebeu que a gravidade era nada menos do que uma distorção na geometria das 4 dimensões. Saía de cena a geometria euclidiana e vinha em seu lugar uma geometria não-euclidiana (em que a soma dos ângulos de um triângulo não necessariamente dá 180 graus e linhas paralelas podem se cruzar).
Não satisfeito em pôr de cabeça para baixo a geometria básica do Universo, Einstein decidiu que o passo seguinte era unificar a física toda num só conjunto de equações. Naquela época, em que ninguém conhecia ainda as forças que agiam dentro dos átomos, a tão sonhada unificação era apenas uma questão de costurar a relatividade (que explicava a gravidade) e o eletromagnetismo (responsável, como você pode imaginar, pelos fenômenos elétricos e magnéticos, ambos relacionados à partícula que aprendemos a chamar de elétron).
Dimensões ocultas
Einstein não foi muito adiante com seus esforços, mas outros foram inspirados por sua busca. Entre eles, dois se destacaram muito cedo: Theodor Kaluza e Oskar Klein. Trabalhando individualmente em meados da década de 1920, os dois perceberam que, se a relatividade geral fosse reescrita para acomodar 5 dimensões, em vez de 4, as equações do eletromagnetismo brotavam naturalmente dela.
Mas tinha um probleminha: até onde se pode ver, o Universo não tem 5 dimensões, apenas 4. Klein, em 1926, sugeriu que não podíamos ver a 5a dimensão porque ela estaria enrolada em si mesma, como um tubinho minúsculo.
De lá para cá, outras forças que agiam no interior do átomo foram descobertas e, por algum tempo, a idéia de dimensões extras foi esquecida. Foi então que surgiu a Teoria das Supercordas – a noção de que as partículas que compõem o Universo poderiam ter a forma de cordas vibrantes (com cada vibração dando as características da partícula). Os físicos desconfiam que, a partir dessa premissa, seria possível descrever todos os componentes da natureza numa única teoria – mas só se o Cosmos possuísse nada menos que 26 dimensões.
Uma dimensão enrolada escondida, vá lá. Mas quem vai acreditar em 22 dimensões escondidas? Como explicar que 4 dimensões são aparentes e as outras todas ficam ocultas? Pois é, como os próprios físicos achavam essa idéia difícil de engolir, começaram a trabalhar numa forma de reduzir o número de dimensões necessárias. Hoje eles já conseguiram fechar com 10 ou 11 dimensões – e muitos pesquisadores acreditam que o número não vai cair muito mais que isso. Ou seja, se a Teoria das Supercordas estiver certa, o Universo deve estar cheio de dimensões enroladas e, portanto, invisíveis.

Autor: Salvador Nogueira - Revista Superinteressante